terça-feira, dezembro 06, 2005

Dos prazeres

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Sem dúvida reclamamos muito da vida, e tomamos por banalidade aquilo que poderia nos trazer um prazer exuberante. Você já experimentou olhar em volta, ver as pretuberâncias das cores. O mundo é colorido e vivemos nele. Acredito que podemos sentir prazeres mesmo nas coisas aparentemente mais singelas, a beleza do dia. O inverno finalmente está chegando, as cores das paisagens estão mudando, o verde vibra mais verde, antes o verde era amarelado. O sol toca o solo e reflete sua cor em tudo que está a sua volta, mas agora o céu está com nuvens cinzas e o verde mais verde. Um verde vibrante que grita, nos chama para ver a vida. As paisagens do interior do paraná estão esplêndidas. Os laguinhos cada vez mais prateados, contrastando com o verde e a terra bordô, mas um bordô fechado, quase roxo. O céu quase prata contendo os arroubos solares e os azuis transgressores surgem em pequenos pedaços, mas não é um azul qualquer, são azuis avermelhados, azuis quase turquesa, um azul único contrastando o verde que parece infinito, o horizonte parece não ter fim. Quando parece que a natureza já esgotou suas maravilhas surge o grande Tibagi, a sua imensidão em movimentos, águas correntes, casinhas rústicas que o beiram, pontes cuidadosas e estreitas, um pouco mais à frente uma fábrica de cerâmica rústicas com suas torres circulares, circundadas pelo negro penetrante da fuligem. Agora mergulho novamente em vales verdes, sinto como se tivesse engolido todo o encantamento das sensações, como naquele conto indiano do menino que tem o universo na garganta, eu tenho a imensidão do horizonte dentro de mim, isso reprime o vazio, emociona, provoca ondas de prazeres quase tácteis, faz se desmanchar em lágrimas mesmo aqueles que afirmam que a fonte secou. Esse é o caminho para Assaí, uma cidade pequena no meio de algo que mais parece um vale vibrante. Casinhas, vaquinhas, laguinhos, montanhas, rochas, terra roxa... Ao entrar na cidade se percebe as cores urbanas de uma cidade distante, miúda, mas não de sensações amiúdes, únicas. Muitas vezes os momentos são tão únicos, que precisam ser eternizados dentro de nós, como diamantes cravados no peito.

Clara Guimarães

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Clara,

Mais uma vez, relendo o seu texto, sinto que expressou o que de mais profundo existia naquele momento neste poço de sensibilidade que é sua alma. Creio que o fez da maneira mais pura e cristalina possível. Lindo mesmo!...

Estou aguardando a sua nova coletânea.

bennedito@pop.com.br

5:39 PM  

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