terça-feira, dezembro 06, 2005

Do artista

domingo, 19 de junho de 2005


Ser artista é difícil! Ou ser artista é fácil! Existem duas vertentes de pensamente defendido pela sociedade, para alguns, artista é aquele ser marginalizado, sem dinheiro, sem perspectiva de um amanhã promissor ou com fartura. Para outros artista é aquela celebridade que aparece na revista, faz uma novelinha, canta uma musiquinha e ganha muito dinheiro, tem uma vidinha fácil, enquanto outros se matam de trabalhar. Quem será que é de fato o artista, o que significa fazer arte? Fazer arte não é divertir a corte. Quando um indivíduo faz arte, é por sentir uma necessidade, é algo muito mais forte do que a sua própria existência, ele sucumbi à uma vontade incontrolável, algo que o faça dar sentido a sua existência. Fazer arte é colocar pra fora o que os espeta as entranhas, que revira o estômago, sua dor, sua felicidade. É como ver cores em filme preto e branco. Entretanto sofremos um processo de burocratização da arte, o artista tem institucionalizado a sua arte, virado burocrata, muitas vezes em nome de uma arte pura, mas o que vem a ser uma arte pura? O artista cria regras técnicas e normas para burocratizar a arte e assim atingir uma pureza. O artista cada vez mais se afasta de sua necessidade básica de existência, se afasta da arte como integração social para se fechar em um nicho muitas vezes discriminatório. A universidade pública é financiada pela sociedade, é necessário que venha dela (universidade) uma contrapartida social, uma retribuição pelas valias cedidas pela sociedade, todavia a arte realizada na universidade na maioria das vezes é elitista e burocrática, perde-se o real sentido, a necessidade dolorosa e sofrida por uma realização pessoal, que só é obtida através dela. Quando mais rebuscamento e erudição, mais institucionalizada, regrada, fria. Ouço por parte de muitos artista a reclamação de que não há espaço para no Brasil. Entretanto, vamos refletir um pouco: Esse artista que reclama tanto, faz algo para que sua arte seja vista, apreciada, compartilhada? Geralmente não faz nada, espera sentado, discutindo formas e meios técnicos de aprimorá-la. Vivemos num mundo de oportunidades para aqueles que a buscam, as oportunidades não batem em nossa porta, não nos puxam pelo braço e nos empurra para o estrelato. Buscar as diversas formas de viabilizar um projeto social não é ser burocrático, como muitos dizem. É socializar a sua arte, dar oportunidades para os outros a apreciarem, na verdade acho que os artistas acadêmicos eruditos universitários tem interesse em guardar os seus grandes feitos para quem possa entendê-la, afinal sua arte precisa ser entendida e não apreciada. Para a arte só isto basta, sentir... é um campo das sensibilidades. Levantar e ir a luta serve para todos, lutar pelo seus desejos e anseios, o mundo foi feito para os lutadores, esse sim viram vencedores. Cada um tem a sua própria necessidade existencial, e para aqueles que acham não gostar de nada, experimentem mais a vida, existe algo esperando para espetar as suas entranhas.

Clara Guimarães
Crimes na internet? Denuncie